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Arpen/RS lembra os 15 anos de falecimento do escritor Moacyr Scliar, um dos grandes nomes da literatura brasileira

Médico, humanista e imortal da Academia Brasileira de Letras, autor gaúcho segue vivo na memória cultural do Estado e do país

No dia 27 de fevereiro de 2026, completaram-se 15 anos da morte de um dos mais talentosos e queridos escritores gaúchos: Moacyr Jaime Scliar. Nascido em Porto Alegre e registrado no Livro A-34, folha 7, do Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais da Quarta Zona da capital, Scliar deixou um legado que atravessa gerações, unindo a medicina, a literatura e a cultura judaica de forma ímpar.

Filho mais velho do casal José Scliar, romeno, e Sára Slavutski Scliar, natural do Rio Grande do Sul, Moacyr nasceu em 23 de março de 1937, às 14h30, no hospital Beneficência Portuguesa. Neto de Marcos e Anna Scliar e de Abrahão e Elisa Slavutski, ele cresceu no tradicional bairro Bom Fim, reduto da imigração judaica em Porto Alegre, e foi alfabetizado pela mãe, professora primária.

Estudou no Colégio Iídiche e, a partir de 1948, no Colégio Rosário, onde concluiu o ensino médio. Em 1955, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), formando-se em 1962. Mais tarde, especializou-se em Saúde Pública e tornou-se Doutor em Ciências pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP).

Autor de 74 livros, Scliar circulou com maestria por diversos gêneros — romance, conto, crônica, ensaio e literatura infantojuvenil. Sua estreia ocorreu em 1962 com Histórias de Médico em Formação, mas foi com O Carnaval dos Animais (1968) que ele considerava ter encontrado sua verdadeira voz literária. Por 15 anos, assinou coluna no jornal Zero Hora e também colaborou com a Folha de S. Paulo.

Sua obra frequentemente mesclava o cotidiano da classe média urbana, a experiência médica e as raízes judaicas — temas que refletiam sua própria trajetória. Casou-se em 1965 com Judith Vivien Olivien, com quem teve um filho, Roberto.

A relação de Scliar com a comunidade judaica e com a intelectualidade gaúcha foi sempre muito próxima. O escritor e diretor da Academia Rio-Grandense de Letras (ARL), Rafael Bán Jacobsen, que conviveu com ele em atividades comunitárias, lembra com carinho do amigo:

“O Mico, como era chamado por muitos na comunidade judaica, foi sempre um gigante — como pensador, escritor e humanista. Mas, ao mesmo tempo, era um homem simples, afável e de sorriso fácil. Tivemos em comum o amor pela literatura e pude contar com seu incentivo em diversos momentos. Um dos mais marcantes foi o seminário ‘Diálogos Sobre Cultura’, em 2009, na Federação Israelita. Estar ao lado dele naquela mesa, representando o futuro das letras judaicas no Estado, foi uma honra e uma grande responsabilidade.”

Eleito em 2003 para a Cadeira nº 31 da Academia Brasileira de Letras (ABL), Moacyr Scliar faleceu em Porto Alegre, aos 73 anos, no dia 27 de fevereiro de 2011. Quinze anos depois, sua presença ainda é sentida, seja nas estantes, nas salas de aula, nos consultórios ou na memória afetiva de quem teve o privilégio de cruzar seu caminho ou mergulhar em suas palavras.

Fonte: Assessoria de Comunicação – Arpen/RS